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Nota

Nota era uma garota inocente, fruto de um amor proibido. Sua mãe gastara todo o dinheiro que ela tinha para viajar pelo mundo e transar com vários caras e comprar drogas. Seu pai, era um homem tão parado que basicamente não existia na vida de sua filha. Por mais que Nota chamasse a atenção, sua presença naquela casa era totalmente ignorada. Nota tinha apenas dez anos. Nas noites que a mãe estava drogada, Nota era abusada pelo pai. Nas noites que o pai tentava arranjar um emprego, a mãe a fazia de prostituta para ganhar dinheiro para as drogas. Sua vida era totalmente miserável. Não tinha como escapar. Numa noite, a neve caía com precisão. Toda a cidade fora coberta com uma camada grossa de neve. Ninguém saía das casas, ninguém entrava nas casas. E assim continuou durante várias semanas. Os alimentos começaram a ficar escassos, a agua congelara dentro das tubulações. A fome e a miséria triunfava dentro das casas. Num gesto de desespero, a mãe de Nota grita seu nome, ordenando que a filha fosse buscar água num posso.
— Nota! — Gritou a mãe.
Vários minutos se passaram e nenhuma resposta foi ouvida.
— Nota, sua vagabunda! Você não está me ouvindo? — Gritou mais alto ainda a mulher, mas a casa ainda ficou em silêncio.
— Nota? Cadê você Nota? — Gritou o pai.
A agonia tomou conta daquela família. A doce filhinha havia sumido. A neve já havia começado a baixar.
— Será que ela saiu? — Perguntou o pai?
— Vamos procurá-la! — Respondeu a mãe.
Rapidamente vestiram seus casacos e abriram a porta. Um vento frio invadiu a casa e cobriu o chão com uma fina camada de gelo. Um grito foi ouvido. Nota estava ali, congelada havia semanas. Seus urros de dor e de frio foram totalmente ignorados por seus pais. Agora não havia mais volta. O corpo oco da garotinha estava num tom de azul-claro marcante. Seus braços esticados em direção a porta estavam cobertos de neve. Seus olhos estavam arregalados. A morte tirara todo o brilho dos seus olhos verdes esmeralda. Sua boca aberta, como se ela tivesse gritado, mas não foi escutada. Lágrimas desceram no rosto da mãe, mas logo viraram pedras de gelo. A nevasca aumentara novamente. Não havia o porquê de levar aquele corpo para dentro, então foi deixado no mesmo lugar que foi encontrado. O corpo da menina foi congelado, mas sua alma queimava e jurava vingança contra aqueles que a deixaram morrer. Como a casa estava bastante fria, os pais da falecida Nota se aproximaram da lareira para se aquecerem. Esse foi o terrível erro. Ambos foram empurrados para dentro do fogo. Nota gargalhava com sua façanha. Seu espírito olhava seus pais queimando e gritando de agonia. Havia algum sentimento bom naqueles dois? Nota discordava. Seu ódio era tremendo.
— Morram seus desgraçados. Eu espero por vocês no inferno! — Gritou a menina. E as labaredas consumiram toda a casa.

Agora eu que pergunto, de quem foi a culpa disso tudo? De Nota? Ou ela apenas foi a vítima de outros?

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