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O coração pede, mas o corpo não obedece.

Eu realmente queria ser alguém melhor, não que eu seja ruim, mas em determinadas situações, eu gostaria de ser outra pessoa para tudo desse certo. Certo dia estava eu em um local que eu costumava ir sempre (mas com minha nova vida de estudante universitário eu diminuí minhas idas) e vi alguém. Uma pessoa desconhecida, levemente sexy e totalmente misteriosa. Seus olhos negros me prenderam, o seu rosto simétrico (pelo menos na distancia que eu estava parecia) era totalmente hipnotizante. Eu estava usando uma jaqueta cinza que era de meu pai, e essa pessoa usava uma camisa branca e uma calça preta. Eu juro com todas as minhas forças que foi só por meus olhos naquele ser divino que tudo na minha vida não fez mais sentido. Passei o resto da noite olhando, observando, encarando, comendo com os olhos, esperando o momento para ir falar com (e quem sabe conseguir estar com), porquê meu coração não mentia: Era a minha alma gêmea. Passei horas premeditando uma chegada, mas eu estava acompanhado com algumas pessoas e não seria legal eu chegar daquele jeito. Meus acompanhantes perceberam que eu estava olhando sem parar para um determinada pessoa. Fiz um trocadilho para tentar disfarçar minha respiração falha e meu coração acelerado, pensando eu ter aquela pessoa para mim. Mas ela riu com outra pessoa. Droga! Meu sangue ferveu, minha cabeça quis explodir, eu quis levantar de minha cadeira, ir até minha "alma gêmea" e tirar todas aquelas pessoas que rodeavam ela. Eu a queria só para mim. E quando eu tive a chance de chegar perto, eu fiquei calado. Não consegui dizer nada. Minha mente gritava diversas coisas, mas minha boca permanecia fechada, com medo de levar um fora, com medo de ser julgado, com medo de rirem de mim... Encontrei uma amiga. Desabafei. Contei todo o meu melodrama sobre aquele amor e a vontade que eu tinha de chegar naquela pessoa e beijar na frente de todos os presentes e quem sabe levar ela para minha casa e descobrir o que realmente aquela pessoa tinha de tão intrigante, mas não. Apenas fiquei observando. Vendo a cada passo ele se afastar de mim. Então quando não pude mais vê-lo, chorei.

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