-- Parte 01 de 02 --
Alguns dias antes do acontecido eu tinha até brincado com isso... “E se eu conhecesse outro alguém? ”, mas nada passava de meras suposições para rir um pouco. Olho para trás agora e vejo que realmente as palavras tem poder. Mas nada posso fazer. O coração quer o que o coração quer.
Alguns dias antes do acontecido eu tinha até brincado com isso... “E se eu conhecesse outro alguém? ”, mas nada passava de meras suposições para rir um pouco. Olho para trás agora e vejo que realmente as palavras tem poder. Mas nada posso fazer. O coração quer o que o coração quer.
No início disso tudo, eu nem fazia ideia do que eu estava fazendo quando resolvi viajar com pessoas que eu não conhecia. Claro que iria ter algumas pessoas que eu gostava lá, mas pelas circunstancias da viagem, nem iriamos nos ver. E foi o que aconteceu. Passei 12 horas de viagem com pessoas que eu nunca tinha visto na minha vida. Meu plano era: “Você só está viajando com eles, quando chegar lá, procure seu grupo e pronto. ”, mas não deu muito certo. “Meu grupo” não tinha aparecido e eu tinha que socializar. Que saco. Fui colocado numa cabana com mais outros cinco garotos.
Não dava a mínima para eles, tanto que eu nem ficava na cabana direito, passava a maior parte do tempo sozinho, perambulando pelo hotel, imaginando o que eu faria se meus amigos estivessem ali comigo. Tenho certeza que se eles tivessem ali comigo naquela hora, nada disso teria acontecido. Depois de disfarçar o verdadeiro eu para os garotos da cabana, que achavam eu que estava pegando uma garota lá do hotel (tolos), cansei de me isolar. Numa noite, voltando da piscina onde eu tinha estado com minha amiga (a que os garotos achavam que eu pegava), minha cabana estava lotada. Tinha muitas garotas lá. Todos estavam jogando baralho e me chamaram para jogar também. Eu não estava com a mínima vontade de sentar ali com aquelas pessoas e jogar. Eu não me identificava com eles. Até que eu reparei em alguém.
Aceitei o convite para jogar e fiquei longe desse garoto que até então eu não sabia o nome (admito). Tinha algo que me intrigava nele. Não sei se era o fato de não saber seu nome, ou de não conseguir tirar os olhos dele ou sei lá... Ele era engraçado. Misterioso e engraçado. Os jogos rolaram até altas horas da madrugada e um a um, todos foram se ausentando. No final restamos apenas: Eu, o garoto misterioso “desconhecido” (eu só não sabia seu nome), duas irmãs gêmeas e uma outra garota. Resolvemos ficar acordados até o amanhecer. Conversa vai e conversa vem, o garoto “sem nome” me intrigava cada vez mais. Eu estava me sentindo confortável com aquelas pessoas. As gêmeas dormiram, restando apenas os três sobreviventes.
Foi a partir daí que tudo começou a funcionar. Não sei como, mas falamos de política e junto com isso veio o estatuto da família. Reclamei dele e depois de alguns argumentos eu disse que era gay. Olhei para o garoto que parecia não se importar com o fato da minha sexualidade. “Droga”, pensei. “Ele é apenas mais um hétero simpatizante”. O dia raiou e com isso chegou a hora do café da manhã. Saímos da minha cabana e fomos comer. As garotas resolveram tomar banho, deixando-me a sós com o hétero simpatizante. Ele perguntou se a minha sexualidade não me atrapalhava na conexão com Deus e eu falei o que eu sentia em relação a isso. Estava tudo tão tranquilo quando a bomba veio de repente. “Eu sou bi”, disse ele.
Quase engasguei com o que eu estava comendo. Sorri e tentei não parecer desesperado. Era uma chance. Eu tinha chance com ele. Meu hétero simpatizante desconhecido tinha se tornado bi desconhecido. Eu precisava saber o nome dele, mas não tinha coragem de perguntar. Passamos várias horas juntas. A cada momento eu descobria algo a mais sobre ele e sabia (mais ou menos) qual era seu nome. Para não admitir que não sabia como lhe chamar, inventamos um apelido parecido com o nome real. UFA. Tinha me livrado dessa, mas eu ainda o queria. Tentaria de todas as formas. No início da tarde voltamos até a cabana e ficamos a sós. Estávamos em quartos separados que ficavam um de frente para o outro. Tomei um banho, esperando que ele entrasse no banheiro e ficasse ali comigo, mas ele não entrou.
Terminei de me arrumar, sempre tentando ficar de frente para a porta para que ele me visse. Diversas vezes eu parei na porta do quarto dele onde ele usava apenas uma cueca. Eu queria jogá-lo na cama naquele momento. Tentei não ficar excitado, mas não estava dando muito certo. Sorte minha ele não ter percebido (acho). Ele foi tomar banho e eu fiquei parado na porta olhando sua silhueta através da porta do banheiro (que era feita de vidro e madeira). Esperei ele tirar a roupa e suspirei. Que homem... Os outros garotos da cabana estavam voltando então corri até meu quarto e fingi que nada aconteceu. Terminei de arrumar minhas malas e fiquei esperando ele terminar. Meus desejos e pensamentos eram bem ousados, mas nunca tinha passado pela minha mente os fatos que aconteceriam logo em seguida.
--- Continua ---
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