Tem quase dois anos que eu me mudei de minha cidade natal para uma nova cidade com o intuito de fazer faculdade. Eu não suportava ficar na minha cidade. Nada me agradava lá. Eu sou alguém de alma agitada, precisava de um local que me contemplasse. Me mudei assim que finalizei o ensino médio e logo comecei a cursar uma faculdade. Minha mente vem se abrindo para coisas novas desde que eu me mudei. Tanto para coisas desse mundo quanto para coisas do outro mundo.
Eu moro num apartamento com mais três garotos. Eles fazem cursos diferentes do meu. Nos primeiros meses eu fiquei muito tempo sozinho no apartamento, pois minha grade não era tão extensa quanto a dos outros garotos. E foi nessa situação que eu conheci Bruno. Numa das noites que eu estava só, eu estava no quarto assistindo Netflix. Ainda faltava algumas horas para os outros garotos chegarem. Tudo estava silencioso e todas as luzes estavam apagadas, exceto a do corredor. Eu estava com preguiça de apagar, então ela ficou acesa. Tudo parecia normal, até minha internet cair. O meu filme travou e eu abaixei meu celular. Foi então que eu vi um homem vestido de branco parado no pé da minha cama. Entendam, eu durmo na parte de baixo de um beliche, então não notei ele chegando. Também não conseguia ver seu rosto, somente do peito para baixo porque o restante era cortado pela cama de cima. Fiquei alguns segundos parado e em silencio, achando que era a minha imaginação. Fechei e abri os olhos diversas vezes, mas aquele homem continuava ali. Antes que eu abrisse a boca para falar qualquer coisa, ele começou a se mover em direção ao corredor. Quando ele já tinha saído do quarto, eu peguei uma faca (que eu guardo comigo perto da cama para emergências), levantei da cama e fui atrás dele, mas quando cheguei no corredor não havia ninguém. Entrei em todos os quartos procurando por alguém e não achei ninguém. Eu ainda estava totalmente só.
Quando os garotos voltaram da faculdade, eu resolvi não contar sobre o que eu tinha visto, porque um dos garotos tinha muito medo de espíritos e dessas coisas. Guardei essa história para mim e nunca mais vi o tal homem. Vários meses depois, passei a ficar menos em casa e um dos garotos começou a diminuir sua grade na faculdade, ficando assim com mais tempo livre. Eu estava estudando à noite nessa época. Em uma noite específica, quando eu chego em casa, ouço barulhos de alguém chorando. Entrei correndo para ver o que havia acontecido e quando entrei no quarto, o garoto que estava com tempo livre, estava chorando desesperadamente. Coloquei minha mochila no chão e sentei ao lado dele. Ele me abraçou com força e continuou a chorar. Perguntei o que havia acontecido e ele me disse que estava estudando na cama e viu um homem vestido de branco parado na porta, olhando para ele. Me lembrei do homem que eu havia visto um tempo atrás e abracei meu colega mais forte ainda. Fiz um chá para que ele se acalmasse e esperei os outros garotos chegarem para eu contar o que havia acontecido.
Chamei todos no quarto e pedi para que o garoto, agora já tranquilizado, falasse o que ele tinha visto. Assim que ele acabou de falar, eu contei o que eu havia visto meses atrás. Outro garoto também contou que já tinha visto esse homem na porta do quarto quando ele havia se mudado para o apartamento. O garoto que estava ali no apartamento a mais tempo respirou fundo e mandou a gente sentar na cama. Sentamos e ele contou que alguns anos antes dele ser dono do apartamento, um homem havia sido assassinado ali. O apartamento tinha sido invadido numa noite e o dono foi esfaqueado enquanto dormia. Ele consegui se arrastar até a porta, mas morrera ali. O nome dele era Bruno. Duvidamos da história, até que ele pegou seu laptop e nos mostrou a reportagem que fizeram sobre o assassinato. Quando ficamos agitados, ele nos acalmou e disse que Bruno era inofensivo. Ele morava no apartamento fazia dois anos e já havia visto Bruno algumas vezes andando pelos quartos e ele nunca havia feito nada. Concordamos que se ele quisesse fazer algo, já teria o feito.
Não vou mentir, nos primeiros dias foi complicado dormir sabendo de Bruno, mas com o tempo todos nos acostumamos. Bruno nunca havia entrado em contato conosco. Pelo menos até aquele momento.
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