Ainda gargalho ao lembrar daquele celebre momento em que você e eu estávamos ali sentados como duas gárgulas de pedra sobre o parapeito de um prédio. Você me olhava e eu respondia com meu olhar. Não podia conter o sorriso. Vários abutres estavam em volta esperando o ato ser consumado para que pudessem ter o que comentar. Após tantas trocas de lugares e viagens à procura do local perfeito, paramos bem ali, sob uma imensa árvore, em meio a tanto sujeira que o mundo produz, uma simples árvore foi palco de uma grande história. Num piscar de olhos já estávamos juntos. Nossos corações batendo no mesmo ritmo. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Foi como um sonho. Um desejo não mais que carnal, ou talvez não. Seu cheiro me inebriava. Oh... Só de lembrar já reviro os olhos. Mesmo tendo um mundo acelerado girando em nossa volta, estávamos em nosso mundo, aquele onde podemos ser nós mesmos. E foi nesse mundo em que seus lábios encontraram os meus. Seu doce sabor estava agora em minha boca. Ah... Lembrar não é o suficiente, eu te quero a todo instante... EU TE QUERO AQUI E AGORA! Sonhos, sonhos, doces sonhos... Tudo poderia ter sido um sonho, mas foi a realidade. Uma delicada realidade inserida em tanta verdade obscura que podem até ser chamadas de obsoletas. Que destino cruel. Depois de onze anos resolveu agir. Talvez seria melhor se não tivesse agido. Mas eu não quero isso. Eu fico em meu quarto, na completa escuridão, lembrando dos seus lábios, e dos seus olhos, e do seu cheiro. A escuridão me conforta em momentos como esse. Será que isso é o suficiente? Antes de tudo isso acontecer eu estava sentindo-me incompleto, mas agora a coisa é diferente. Agora eu me sinto completo, mas isso está me tornando um ser imparcial. Não sei como, mas ao me completar, perdi o meu senso sentimental. Tudo aquilo que eu achava e cultivava sentimentalmente no meu interior desaparecera. Não sei o que fazer, não sei mais o que pensar... Será que devemos parar por aqui ou devemos continuar? Isso é muito confuso para mim. Nada se encaixa. O que acontece comigo? E será que isso vai mudar algo entre nós? Primeiro veio o beijo, mas e agora?
Eu venho me perguntando o porquê dessa repentina aproximação. Foi quase que instantâneo. Eu, Emma, Riquelme, Peitos e Poderoso. Cinco almas, um só corpo. Eu já tive amigo antes, os quais eu trago até hoje, mas desta vez é diferente. Eu me sinto bem. Quando exite uma distância maior do que a habitual, sinto-me vazio. Como se estivesse sob o efeito do álcool. Sinto como se não fizesse parte do local em que estou presente. Já fui investigado se estou me apaixonando por alguém, mas não acho que isso seja possivel. Pelo menos não por agora. Eu não sou do tipo que se apaixona, portanto quando isso acontecer vai ser devastador. Mas quando eu estou junto, ali, fazendo parte desse grupo, mesmo com a chance de criar o caos no local, eu estou feliz. Só os cinco. Mais ninguém. Isso é felicidade? Longe de moldes e conceitos, somos um grupo de misturas e soluções. Não é por acaso que somos o temido "TOP FIVE". Existe algo mais ali. Um elo. Uma ligação que não é material, não é deste mundo...
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