Ali, no parapeito do prédio, duas pombas brancas passeiam e andam de um lado para o outro, frenéticas. Não sabiam elas que estavam sendo observadas por humanos que imaginavam o que passavam por suas mentes. Uma história de amor e ódio surgiu a partir dali, e como sua protagonista, a doce e irregular Pombina, a pomba branca mais graciosa do parapeito.
- Meu Amor, cheguei! - Gritou Pombina.
- Pombina, ainda bem que você chegou. Tem acontecido coisas estranhas aqui em casa hoje. - Disse Pombeu, seu marido.
- Coisas? Que tipo de coisas? - Perguntou ela.
- Eu senti a presença de outro alguém aqui durante toda a manhã. - Pombeu rotacionou a cabeça em 30°. - Acho que estamos sendo observados.
- Deixe de ser maluco meu amor. Não tem ninguém aqui. Só nós.
O silêncio pairou durante alguns segundos.
- Você não tinha que pegar alguma coisa para comer Pombeu?
- Oh... Quase me esqueci. Volto em alguns minutos.
E Pombeu bateu as asas e voou do parapeito. Poucos segundos depois uma pomba preta pousou ao lada da pomba branca restante no prédio.
- Então, contou para ele? - Perguntou o pombo preto.
- Claro que não cara. Isso tem que ser ao poucos. Não posso chegar na maior cara de pau e dizer: "Oi amor, eu te traí!".
- Mas você tem que contar. Não posso ficar em com alguém que está em outro relacionamento. Isso é imoral.
- Imoral foi o que fizemos ontem. - Disse Pombina.
Os dois pombos balançaram suas asas como se algo de interessante tivesse sido falado ali. Os arrulhos foram altos naquele momento.
- O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? - Perguntou Pombeu pousando de repente no parapeito.
- Amor eu posso explicar... - Começou Pombina.
- Você está me traindo? Com meu irmão?
- IRMÃO? - Gritou Pombina.
- Sim. Eu sou irmão de Pombeu. - Disse o pombo preto.
- Afaste-se dela Pombson, ou então... - Ameaçou Pombeu.
- Ou então o que? Você sempre foi fraco irmão. Você é um medroso. Não fará nada. Eu sei disso. Você vai sofrer eternamente sabendo que eu roubei a mulher que você ama.
- CALA A BOCA - Gritou Pombeu.
O pombo branco voou para cima do pombo preto e o arremessou parapeito a baixo.
- POMBSOOOOOOOOON, NÃÃÃÃO. - Gritou Pombina. - Seu assassino.
- O que foi que eu fiz? Me perdoa meu Deus. Não posso viver como um assassino. Adeus Pombina.
E de repente o pombo branco também se joga dali, restando apenas uma pomba.
- Eu não consigo suportar isso... Os dois homens que eu amei estão mortos. Minha vida não tem mais sentido.
Vagarosamente, a pomba se aproximou da extremidade do parapeito, olhou para baixo e também se jogou.
Os humanos que os observavam estavam aflitos com as cena que acabara de acontecer a poucos metros de distância. Mas eram apenas pombos. Nada disso tinha acontecido de verdade, era só imaginação. Pelo menos é o que eles pensavam.
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